Augusta de Almendra explica por que razão a intenção também precisa de bom senso.
Recebi esta semana uma carta que começava com as palavras «Augusta, correu tudo exatamente como planeado». Parei imediatamente de beber chá. Na minha experiência, esta é a frase que antecede a descrição de uma cortina chamuscada.
O grupo reunira-se com boas intenções e um entusiasmo considerável. Havia canela, uma vela e três pessoas convencidas de que deviam liderar o ritual. Nenhuma estava particularmente interessada em ouvir as outras duas. Ao fim de dez minutos, a prosperidade ainda não tinha chegado, mas a discussão já ocupava a sala inteira.
O problema da magia, meus caros, é que muita gente lhe pede clareza enquanto se recusa a abrir uma janela — por dentro e, quando necessário, por fora. Preparar um momento de intenção pode ser bonito. Confundir esse momento com uma garantia de resultados é pedir demasiado até ao mais paciente dos universos.
«A canela não resolve aquilo que uma conversa honesta continua à espera de resolver.»
O meu conselho? Cuidado com o fogo, espaço para respirar e menos competição por quem sabe mais. O extraordinário começa muitas vezes pelo mais simples dos gestos: prestar atenção.
Por Augusta de Almendra · Ficção do Universo Mágico Português.
